Conteúdo cianogênico em progênies de mandioca originadas do cruzamento de variedades mansas e bravas

Resumo

Cassava varieties are popularly separated by taste as bitter or sweet cultivars. Roots of bitter cultivars have a high HCN content (over 100 mg HCN equivalent/kg fresh roots) and are consumed only after processing, as flour, starch and other products. Sweet cultivars have low HCN content and can be consumed without any kind of processing. With the purpose of studing the possibility of using bitter varieties in the breeding of sweet cassava varieties, crosses were made between the different types of varieties to verify the cyanogenic profile of the segregating progenies. Two sweet varieties (IAC 289-70, IAC 576-70) and a bitter variety (SRT-1330 Xingu) were pollinated by a sweet variety (SRT-797 Ouro do Vale). Crosses between sweet cultivars yielded progenies with 85.7% of individuals with a HCN content below 100 mg HCN equivalent/kg fresh roots, while only 31.3% of the individuals from crosses between sweet and bitter varieties were under this value. The average HCN content of the progenies was very similar to the average of parents. In all crosses most of individuals showed values between 50 and 100 mg HCN equivalent/kg fresh roots, even those derivated from the cross between sweet and bitter varieties. All crosses yielded transgressive segregants, with HCN content superior or inferior to either parent. The observed data show that the HCN content is a quantitative characteristic and that there is genetic variability allowing selections for high or low HCN content. Bitter cultivars may arise from crosses between sweet cultivars and sweet cultivars may be selected from crosses between sweet and bitter cultivars. As variedades de mandioca (Manihot esculenta Crantz ssp esculenta) são classificadas pela taxonomia popular em bravas e mansas. As bravas têm sabor amargo, contêm alto teor de glicosídeos cianogênicos (superior a 100 mg de equivalente HCN/kg de polpa fresca de raiz) e são consumidas após serem processadas na forma de farinha, fécula e outros produtos. As mansas ou doces não têm sabor amargo, contêm baixo teor de glicosídeos cianogênicos, são consumidas com ou sem qualquer processamento, principalmente por meio de preparados domésticos simples. Neste trabalho, foram feitos cruzamentos para verificar o perfil cianogênico das progênies segregantes visando utilizar variedades bravas no melhoramento de mandiocas mansas. Duas variedades mansas (IAC 289-70 e IAC 576-70) e uma brava (SRT-1330 Xingu) foram polinizadas com uma variedade mansa (SRT-797 Ouro do Vale). Dos cruzamentos entre variedades mansas, 85,7% dos genótipos apresentaram teores abaixo de 100 mg eq. HCN/kg de polpa fresca de raiz. Do cruzamento entre as variedades mansa e a brava, apenas 31,3% dos genótipos mostraram teores abaixo desse valor. A média das progênies foi muito próxima à média dos parentais. Em todos os cruzamentos, a maior freqüência de genótipos esteve na classe entre 50 e 100 mg eq. HCN/kg de polpa fresca de raiz, mesmo no cruzamento entre brava e mansa. Em todos os cruzamentos apareceram segregantes transgressivos para maior e menor potencial cianogênico em relação a qualquer parental. O tipo de segregação observada indica ser a cianogênese um caráter com herança quantitativa que, embora tenha algum grau de influência ambiental, torna possível a seleção de indivíduos com maior ou menor teor cianogênico devido à alta herdabilidade oriunda de ampla variabilidade genotípica. Assim, variedades bravas podem surgir como recombinantes de variedades mansas, sendo também possível selecionar variedades com baixo teor cianogênico em cruzamentos de mandiocas mansas com mandiocas bravas.


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Assunto

ácido cianídrico, mandioca brava, mandioca mansa, melhoramento de mandioca de mesa, breeding, HCN content, sweet cassava, bitter cassava, sweet cassava breeding

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